
A ida ao banheiro pode durar poucos minutos, mas, para muita gente, esse tempo já é suficiente para conferir o WhatsApp, responder a e-mails ou percorrer as redes sociais. Depois, o aparelho volta para o bolso, passa pela mesa e continua acompanhando o usuário ao longo do dia.
Foi o que mostrou uma abordagem realizada pela Adventist Health para um vídeo sobre o tema. Entre os entrevistados, alguns admitiram levar o celular frequentemente ao banheiro. Outros disseram que estão tentando abandonar o costume, mas ainda usam o aparelho quando esperam uma ligação ou mensagem.
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O hábito parece inofensivo, porém pode favorecer a contaminação do telefone por micro-organismos presentes nas mãos, nas superfícies e no próprio ambiente.
“O celular hoje é quase como uma prótese. Ele nos acompanha em todos os lugares”, afirma o médico Dorival Duarte, clínico e infectologista do Hospital Adventista São Paulo, instituição que integra a rede Adventist Health.
Do banheiro para o restante da casa

O risco não está apenas no contato direto com torneiras, maçanetas e outras superfícies. Ao dar descarga, pequenas partículas podem ser dispersas no ambiente e depositar-se sobre objetos próximos, inclusive no celular.
Estudos já identificaram diferentes bactérias em aparelhos telefônicos, especialmente nos utilizados em ambientes de saúde. Entre elas estão Staphylococcus aureus, associado a alguns tipos de infecção, e Escherichia coli, presente na microbiota intestinal.
Isso não significa, entretanto, que tocar em um celular contaminado resultará necessariamente em doença. O próprio infectologista ressalta que ainda não há comprovação científica de uma relação direta entre o uso do aparelho e a ocorrência de infecções hospitalares.
A diferença é importante: a presença de um micro-organismo em uma superfície não representa, por si só, uma infecção. Para que uma doença se desenvolva, entram em jogo fatores como o tipo e a quantidade do agente, a via de contato e as condições de saúde da pessoa.
Ainda assim, o telefone pode funcionar como um meio de transporte.
“A gente toca várias vezes por dia no celular e, inadvertidamente, leva as mãos ao rosto, aos lábios e ao nariz. Quando o aparelho contém micro-organismos, esse contato pode facilitar sua transferência”, explica Duarte.
Lavar as mãos não resolve tudo

A higienização das mãos continua sendo uma das medidas mais importantes para prevenir a transmissão de micro-organismos. O problema é que, depois de lavá-las, o usuário pode voltar a tocar em um aparelho que não foi limpo.
“É como se o celular fosse um cavalo de Troia, sendo transportado de um ambiente para outro sem que sua superfície seja higienizada”, compara o infectologista.
A orientação vale especialmente para profissionais de saúde, que circulam por diferentes ambientes e mantêm contato com pacientes. Assim como estetoscópios e termômetros precisam ser desinfetados regularmente, os celulares utilizados durante a rotina hospitalar também exigem atenção.
Como higienizar o celular corretamente
Não existe uma frequência única de limpeza estabelecida pela ciência. Como medida prática, Duarte recomenda que a higienização seja feita algumas vezes ao longo do dia. Quem levou o aparelho ao banheiro ou o utilizou em ambientes de maior exposição deve redobrar o cuidado.
Antes de começar, é fundamental consultar as orientações do fabricante, já que o uso de substâncias inadequadas pode danificar a tela ou outros componentes.
Alguns cuidados básicos incluem:
- Desligar o aparelho e desconectá-lo do carregador.
- Utilizar um lenço desinfetante compatível com o modelo ou um pano macio e sem fiapos, seguindo as recomendações do fabricante.
- Não aplicar líquidos diretamente sobre a tela.
- Evitar a entrada de umidade em conectores, alto-falantes e outras aberturas.
- Retirar e higienizar também a capa protetora.
- Lavar as mãos com água e sabão depois de usar o banheiro.
A expressão “lenço umedecido” também exige atenção. Nem todo produto desse tipo possui ação desinfetante ou é indicado para equipamentos eletrônicos. A recomendação é verificar tanto a composição do produto quanto o manual do aparelho.
Uma semana sem celular no banheiro
Para diminuir o risco, a medida mais simples é deixar o celular do lado de fora. A Adventist Health propõe um desafio: passar uma semana sem levar o aparelho ao banheiro e adotar uma rotina correta de higienização.
Além de reduzir o contato do telefone com possíveis contaminantes, a mudança ajuda a interromper um comportamento que, de tão repetido, pode passar despercebido.
Afinal, o celular acompanha quase todos os momentos do dia. O banheiro não precisa ser um deles.


